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Exercícios
teatrais
por Interpalco 20/02/2008
Contar a mímica feita por outro
Um ator vai ao palco e conta, em mímica, uma pequena
história. Uma segundo ator observa enquanto que os
outros três não podem ver. O segundo ator vai ao palco e
reproduz o que viu, enquanto os outros dois não vêm: só
o terceiro. Vai o terceiro e o quarto o observa, mas não
o quinto. Vai o quaro e o quinto o observa. Finalmente
vai o quinto ator e reprodua o que viu fazer ao quarto.
Compara-se depois o que fez o primeiro: em geral, o
quinto já não tem nada mais a ver com o primeiro.
Depois, pede-se a cada um que diga em voz alta o que foi
que pretedeu mostrar com a sua mímica. Este exercício é
divertissímo
Variante: cada ator que observa tenta corrigir aquilo
que viu.
Por exemplo: imagina que o ator anterior estava tentando
mostar tal coisa, porém que o fazia mal - dispõe-se
então a fazer a mesma coisa, porém bem - eliminando os
detalhes inúteis e magnificando os mais importantes.
Sugestões Interpalco
O Método
Com a chegada do Teatro de Arte de Moscou sob a
supervisão direta de Konstantin Stanislavsky, este novo
método de interpretação espalhou-se pelo mundo. Uma boa
parte dele permaneceu igual a como ele ensinava. Outra
foi abandonada, modificada ou ampliada para suprir
necessidades de uma sociedade em mudança.
Mas, basicamente seu sistema tem sobrevivido intacto a
quase todos os abusos feitos. Até sua ênfase na
realidade, na beleza da natureza, na dignidade da vida
foram criticadas como vulgaridades simplesmente porque a
verdade foi levada ao palco.
Houve cultos professores universitários de teatro que
rejeitaram seus ensinamentos: instrutores, professores
de teatro e outros que deturparam e deformaram seus
significados para satisfazer suas próprias vontades.
Atores também têm rejeitado Stanislavsky ao aderir a uma
forma exagerada de interpretação. Mas a verdade é uma
adversária terrível porque a natureza está do seu lado.
Muitos atores negam que suas representações sejam
exageradas porque tentam evitar seu método. No entanto,
não percebem que o esforço para ser eficiente ou agradar
facilmente, leva a um comportamento errado no palco.
Isto é só um outro exemplo da necessidade de
auto-consciência.
Com esta consciência, o ator percebe que o exagero e a
grandiosidade são, na maioria dos casos, erros.
Como nós aprendemos com a experiência (e através do
processo de eliminação), o próximo problema que temos
pela frente é exatamente o oposto, não deixando de ser
outro tipo de exagero: representar de forma atenuada,
minimizando a realidade.
Os atores do Método também tornam-se vítimas deste
defeito durante treinamento. Exagerar qualquer coisa no
palco tornou-se um pecado tão sério para os seguidores
do Método que muitas vezes somos obrigados a “nos
contentar em ser natural” ao invés de dar vazão às
expressões, mesmo que elas estejam totalmente em
harmonia com a realidade da situação. Isto é tão errado
quanto exagerar.
Portanto, uma fala lida com naturalidade e simplicidade,
está mais de acordo com a realidade do que o risco de
forçar uma emoção que pode soar falso. Os méritos da
verdade devem ser nossa meta. Nem mais, nem menos.
A forma de representar que acabamos de discutir é
chamada atuação exagerada, mas este termo é
contraditório em virtude da definição da representação
para o ator moderno.
Representar é alcançar a realidade no palco, exagerar
seria negá-la. Representar de modo exagerado inclui a
utilização de gestos e expressões vocais convencionais.
Se a vida interior do personagem está ausente, o ator
acabará recorrendo a tais clichês. O problema de
exagerar é que o ator pode facilmente convencer-se de
que está “vivendo mesmo” o seu personagem.
Quando um ator prepara seu papel corretamente, ele
transforma-se naquele personagem no palco. Claro que não
deve deixar de ser ele mesmo, mas também é necessário
que deixe de ser como é para seus amigos e família.
Todo o seu êxito na realização plena da sua
caracterização reside na sua confiança, na realidade da
sua própria expressão pessoal individual em oposição aos
tipos de expressões clichês. O ator que conta com os
dons naturais e com sua própria individualidade é um
artista criativo. Aquele que não for treinado a usar sua
expressão individual e não conseguir utilizar a si mesmo
para ser o personagem que está interpretando, está preso
e limitado ao convencionalismo.
A sua voz raramente recorrerá a tons e modulações , ele
vai sacudir os punhos, bater na testa, mover os olhos de
forma falsa, apertar os dentes, fazer caretas,
esbravejar, colocar a mão no coração, e recitar sem
emoção.
Imitar este estilo convencional de representação que,
infelizmente tornou-se quase uma tradição, é ridículo. É
certo que existem atores que freqüentemente exageram com
perfeita habilidade. E estes mesmos são os que sempre
exclamam que os momentos primorosos de pura criação e
satisfação artística no teatro vieram daquelas raras
vezes que sentiram-se “inspirados” no papel e pareciam
“viver” o personagem.
Seria muito mais gratificante para os seus espíritos
criativos como artistas se eles pudessem treinar seus
mecanismos para criar estes impulsos sempre!
O melhor que um ator pode aprender com uma representação
pouco inspirada é a certeza que, quando ocorrem momentos
de verdadeira inspiração na peça, todos os outros
momentos provavelmente foram falsos!
Acredito firmemente que a natureza é uma força
insuperável que não pode ser eternamente reprimida mas,
em vez disto, irromperá esporadicamente dando rédeas
soltas à verdade, apesar de nossas vulgaridades. Além
disso, é um indício, em grande parte, de que nossa
sociedade não segue automaticamente as leis naturais
mas, ao contrário, tentamos e quase sempre conseguimos
reprimi-las ou mudá-las.
O ator que desejar atingir um talento artístico
verdadeiro na sua profissão deve literalmente lutar pela
verdade das suas convicções por toda sua vida, tanto no
palco quanto fora dele. Ele não deve desistir até
conseguir trazer ao palco o que todo ser humano produz
naturalmente na vida. |