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REFLEXÃO “Você pesou a mão”.
“Não precisava de tanta indignação”. “Sua postura foi
messiânica”. Eis algumas das reações negativas em
resposta ao meu texto “Sanguessugas Evangélicos”. Recebi
ressonâncias positivas, e elas superaram as negativas em
cinqüenta a um, porém, aquiesço e dou a mão à
palmatória, minha revolta soou desproporcional ao
delito.
Embora Jesus tenha ordenado àqueles que fazem alguém se
escandalizar que amarrem uma mó de moinho no pescoço e
se lancem ao mar, eu não devia sugerir esse tipo de
coisa. Os não probos políticos evangélicos que
surrupiaram os mais pobres entre os pobres talvez não
mereçam uma sentença tão radical.
Retrocedo em minhas posturas, reconheço que meu texto
veio com tons e cores fortes demais. Prometo ser mais
brando.
Acredito que todos concordam que os culpados precisam
ser punidos. Contudo, agora sugiro penas mais brandas
quando se confirmarem as suspeitas – quais são os
artigos do Código Penal por roubo e formação de
quadrilha?
Proponho que a sentença não seja punitiva, mas
educativa. Recomendo que, comprovados os ladrões, eles
cumpram exemplarmente sua sentença, mostrando frutos
dignos de arrependimento.
Como a maioria é evangélica, até no erro devem ser os
primeiros a dar testemunho, reparando o mal praticado.
1. Sugiro que cada um pague o que roubou, trabalhando em
clínicas, hospitais e asilos públicos do país. Para cada
salário mínimo subtraído, que dediquem um mês de
serviços voluntários. Como os políticos evangélicos se
auto-proclamam “servos de Deus”, eles trabalhariam como
enfermeiros, zeladores, motoristas de ambulâncias e
porteiros das enfermarias dos SUS na baixada fluminense,
nos arredores do Recife e nas periferias da zona sul de
São Paulo.
2. Enquanto estiverem trabalhando, se faltar gaze, linha
para sutura, anestesia, que se desdobrem para conseguir
com amigos e com seus bispos e apóstolos o que precisam
para suprir as carências do hospital. No frio, trariam
de suas casas os lindos cobertores que cobrem sua mulher
e filhos para agasalharem os velhos que esperam nos
corredores por um tratamento digno. Caso o político
evangélico não conseguisse prover essas amenidades
básicas, seria obrigado a andar pelas ruas com um
cartaz, igual àqueles que muitos idosos se “sanduicham”,
e confessem: “Eu roubei idosos e crianças do Brasil”.
3. No caso de ocorrer alguma morte nas UTIs por falta de
leito ou por algum equipamento estar quebrado, o
político evangélico ficaria com a responsabilidade de
comunicar o óbito à família. Ele próprio providenciaria
o transporte do corpo até a residência dos enlutados e
ainda permaneceria no velório para acompanhar o choro da
mãe. Desse modo, conheceria a realidade que ele,
acostumado aos tapetes azuis do Congresso, nunca
presenciou.
Retiro o que disse, amigos. Não quero ver esses larápios
no fundo de um esgoto. Isso não ajudaria em nada.
Prefiro contemplá-los na pele da enorme maioria dos
cidadãos brasileiros que experimenta a indignidade dos
serviços de saúde de nosso país. Eles precisam se
familiarizar com o que acontece nos corredores imundos
das clínicas dos SUS; eles precisam sentir a dor dos
pais que recebem a notícia de que seus filhos morreram
por não terem acesso a tratamentos básicos; eles
precisam saber como se enterra uma criança sem direito a
uma lápide decente no túmulo.
Se os políticos evangélicos se inteirassem dos
desdobramentos de seus atos, não seriam tão cínicos e
não meteriam a mão no que não é deles.
Acho que medidas assim trariam algum temor aos que ainda
serão eleitos e podemos voltar a ter esperança.
Soli Deo Gloria.
Pr. Ricardo Gondim
Igreja Assembléia de Deus Betesda
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