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REFLEXÃO Chegou às minhas mãos
um documento confidencial, com uma chancela em alto
relevo, que diz: “Sala do Trono”. É uma circular interna
do Céu que descreve o perfil das pessoas que Deus
procura para encarnarem os valores do seu Reino na
terra.
Não me perguntem quem vazou esse papel tão sigiloso;
realmente desconheço sua origem. Só consigo comprovar
sua autenticidade pelo conteúdo das propostas, a meu
ver, coerentes com a Bíblia.
Transcrevo-o abaixo.
“Procuram-se mulheres e homens que não vivam
escravizados pelas mesmas obsessões que dominam as
pessoas: riqueza, fama e poder. Serão dispensados
aqueles que correm alucinados, sempre perguntando: ‘Que
comeremos, que beberemos? Ou: com que nos vestiremos?’.
Não serão recebidos currículos de quem gosta dos lugares
de honra, e de posar ao lado de pessoas consideradas
importantes. Nenhum entrevistado pode vangloriar-se de
seus feitos. Sugere-se que seja considerado apenas o que
se enleva com a grandeza das galáxias ou com a
fragilidade das margaridas. O candidato pré-aprovado
deve estagiar em algum deserto e será despedido
sumariamente aquele que não souber ouvir a voz dos
ventos mais delicados; não se extasiar com o pôr-do-sol
que colore o céu de vermelho; e não se calar diante das
constelações que enfeitam as noites escuras com seus
diamantes.
Para ocupar a posição de apóstolo, só se admitirá o que
abrir mão deste título; será reprovado o candidato que
afirmar, em algum ponto da entrevista, que se sente
honrado com a possibilidade de continuar com a missão
apostólica. O entrevistado precisará revelar discrição e
total desinteresse para com os louvores humanos. Não
será admitido, em hipótese alguma, qualquer um que,
mesmo de relance, demonstre estar cogitando um projeto
próprio. Está desqualificado o que insinuar, até
inconscientemente, que gosta de dinheiro. Será
desprezado quem se esforçar para mostrar uma
espiritualidade mais intensa que a maioria das pessoas.
Há grande necessidade de profeta, mas se exigirá um
rigor maior no preenchimento dessa posição. O profeta
será testado em sua capacidade de sentir o coração de
Deus. Numa primeira avaliação, o candidato será levado a
conviver com os sofrimentos mais cruciantes da
humanidade. Será despedido sumariamente aquele que
oferecer explicações teológicas para a dor universal.
Antes, requer-se que o profeta saiba deitar seu ouvido
no coração de Deus e sinta seus anseios e vibrações pela
raça humana. Reprove-se o que não verter lágrimas; não
soluçar com a morte desnecessária de crianças; não se
indignar com a volúpia dos que acumulam fortunas, não
protestar contra a indiferença dos confortáveis; e não
lutar contra os preconceitos racial, cultural e de
gênero.
O candidato a evangelista deverá preencher os seguintes
critérios: 1) Amar as pessoas, mais do que seu ofício.
Portanto, é bom observar como reage ao sucesso ou ao
fracasso. Será reprovado todo aquele que demonstrar
extrema alegria pelo bom desempenho de alguma
empreitada. Será descartado, igualmente, o que se
entristecer com o baixo rendimento de seus esforços.
Somente estará apto para o ofício de evangelista quem
aprender a amar, mesmo quando as pessoas resistem à sua
mensagem. Ser fiel é mais importante que bem sucedido.
2) Não se aceitará o orador empolado, que repita
clichês, ou que maltrate o bom senso das pessoas com
frases prontas. Quem fizer promessas irreais, responder
ao drama humano com simplismos; se usar a mensagem do
Evangelho com o intento de subornar ou coagir o amor das
pessoas, será desconsiderado. 3) Terá desclassificação
imediata, quem fizer convite de conversão, apelando para
as emoções. A entrevista qualificatória deve terminar no
instante em que se perceber que o candidato a
evangelista gosta de manipular e sensibilizar as pessoas
com choros e frenesis.
Há vaga para pastor. Contudo, não se deve apressar o
preenchimento dessa função. Só será admitido, candidato
que já tenha caminhado extensamente com o povo. É bom
que conheça todo espectro social e saiba transitar entre
ricos e pobres; doentes crônicos e atletas
profissionais; patrões e empregados. Como os pastores
não podem viver trancados em gabinetes, é de bom alvitre
que se avalie como se comporta quando prega para grandes
auditórios, e como trata indivíduos. O que demonstrar
maior traquejo com multidões, mas evita o contato
pessoal, será repudiado. Todo pastor precisa caminhar de
mãos dadas com famílias enlutadas; precisa saber esperar
pela notícia de morte ao lado das ovelhas que choram no
corredor da UTI; precisa conversar pacientemente com os
jovens que lutam com sua sexualidade; e precisa abraçar
carinhosamente os idosos. É imprescindível que, vez por
outra, chore quando oficiar casamentos.
Existe uma grande necessidade de mestre. Mas, para essa
função, o candidato precisa apresentar seu currículo
acadêmico, que será analisado de acordo com a capacidade
e oportunidades de cada um. Contudo, o futuro mestre não
pode valorizar exageradamente a letra a ponto de matar o
espírito dos textos. Ele deve revelar disposição de
defender a verdade, principalmente quando ela estiver a
serviço da vida. Será desclassificado aqueles que, na
defesa de suas convicções, demonstrar descaso
existencial. Deve-se pedir que cada candidato escreva
ressonâncias a poesias, pintura ou música; deverão ficar
de fora, os que mostrarem rigor exagerado no literalismo,
na análise técnica da obra. Não serve para essa função o
que perde a beleza subjetiva, aquela que só se percebe
com o coração. Quando o entrevistado comentar que domina
um determinado assunto, ficará sob suspeição até o final
da entrevista. A título de exercício, em cada
argumentação do futuro mestre, é mister que haja
contestação com pressupostos diferentes. Caso se mostre
intolerante, ou não ceda na arrogância de seu
conhecimento, será reprovado”.
Surpreendi-me com integridade da Descrição de Funções do
Reino Deus! Como é fantástico que Ele continue à procura
de cooperadores verdadeiros.
Aconselho que muitos candidatos se tranquem em seus
quartos, dobrem os joelhos e se voluntariem; será uma
honra verem-se incluídos para o nobilíssimo serviço de
continuar o que Jesus começou.
Eu já me candidatei e aguardo minha aceitação. Mas,
enquanto ela não chega, treino outros. Desejo que eles
se tornem hábeis artesãos de uma nova história.
Soli Deo Gloria.
Pr. Ricardo Gondim
Igreja Assembléia de Deus Betesda
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