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REFLEXÃO Sou do tempo em que as
denominações sentiam necessidade de publicar em suas
revistas algumas verdades fundamentais em forma de
credo; elas temiam perder sua identidade evangélica.
Sempre encarei aquelas listas com uma ponta de
suspeição, por achar que a fé cristã não pode ser
resumida a uma pequena coluna de revista ou jornal.
Também não me sentia bem com o esforço de tentar
restringir os ensinos de Jesus a poucos conceitos
teológicos.
Deve ter nascido daquele antigo incômodo, meu crescente
desdém por uma espiritualidade racional e dogmática. Já
não tolero que se repitam verdades friamente pescadas de
livros; não me admiro com quem se especializou em
pormenores bíblicos
Não creio que o Evangelho de Jesus careça de mais
detalhamento técnico; ou que os crentes, munidos de
milhares de comentários bíblicos, amadurecem por saberem
particularizar minuciosamente o texto sagrado.
Precisamos de menos lucidez teológica e mais vida
verdadeira.
O barco evangélico faz água com sucessivos escândalos
éticos; a sociedade se escandaliza com os porões do
poder religioso neo-pentecostal; o braço da lei se
estende na direção de auto proclamados apóstolos que,
“pesados e achados e falta”, precisam se esconder.
Anseio por outra igreja, pois à semelhança da geração
que saiu do Egito, sinto que esta já não cumprirá o
propósito de Deus.
Anseio ver emergir uma nova comunidade cristã sem
ufanismos. Desejo testemunhar os crentes vivendo de
forma singela, procurando vestir os nus, visitando os
enfermos, alimentando os famintos e anunciando aos
pobres que chegou o Reino de Deus. Espero pelo dia em
que as afirmações mercadológicas que prometem “explosão
de milagres” se tornarão ridículas .
Anseio por uma espiritualidade com menos espetáculo.
Desejo que o culto perca o glamour de show e que não
precisemos de holofotes com produções mirabolantes para
adorar a Jesus de Nazaré. O cristianismo não necessita
que seus pastores sejam artistas e seus adoradores,
estrelas do entretenimento. Jesus iniciou seu ministério
com pescadores e donas de casa. Quanto mais bem
produzidos comercialmente se tornarem nossos cultos,
mais distantes nos encontraremos das raízes judaicas de
nossa fé.
Anseio por uma espiritualidade comunitária. Desejo que
nossas igrejas deixem de ser balcões de serviços
religiosos e voltem a ser espaços de relacionamentos
verdadeiros. Os crentes não podem continuar tratados
como clientes e nem as igrejas como meras provedoras de
ajuda espiritual. A fé cristã não se alicerça em
funcionalidade, mas em intimidade. Pastores e líderes
devem parar de ensinar técnicas de como conseguir
bênçãos e passar a falar do amor de Deus.
Anseio por comportamentos menos infantis dos crentes. A
maioria quer se relacionar com Deus com o intuito de
levar vantagem na vida. Rapazes e moças querem ingressar
na universidade através da oração; ambicionam promoções
no emprego reivindicando promessas de que “são cabeças e
não caudas”; acham que anulando maldições, conquistarão
grande sucesso. Precisamos de cristãos que apelam menos
para o favor divino, mas que se dispõem como
cooperadores de Deus. Precisamos de menos prece por
consolo e mais busca do Espírito para que nos
transformemos em resposta de oração.
Anseio pelo retorno da Bíblia como regra de fé e
prática. Chega de chavões, frases de efeito e dos
lugares comuns. Não, não precisamos que eruditos tomem
conta dos nossos cultos, basta que pregadores íntegros
se derramem com verdade através de seus sermões. Ouço
contínuas reclamações de pessoas que se sentiram
agredidas com reflexões superficiais da Bíblia.
Portanto, que voltem os tribunos que falam com
autoridade.
Anseio por uma fé menos idealista. Os evangélicos
precisam parar de dourar a pílula existencial. Cristãos
também sofrem, também são destratados em ambulatórios
pobres e também precisam esperar em longas filas para
matricular seus filhos nas escolas públicas. Vivemos uma
realidade perversa e não podemos prometer,
irresponsavelmente, que os evangélicos serão protegidos
em redomas.
Anseio por um genuíno avivamento cristão em minha
geração. E que ele venha com novos paradigmas, novos
pressupostos e novas atitudes. Precisamos de menos
clareza racional e mais gente espelhando a vida de
Cristo. Não basta a repetição de palavras e credos; o
mundo precisa testemunhar nossas boas obras para
glorificar o Pai que está nos céus.
Soli Deo Gloria.
Pr. Ricardo Gondim
Igreja Assembléia de Deus Betesda
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