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REFLEXÃO Victor Hugo escreveu
um clássico contra o patíbulo, o cadafalso, a
guilhotina.
Li “O Último Dia de Um Condenado” de uma sentada. Não
consegui desgrudar o olho do relato sobre as sensações,
angústias e desespero de um proscrito, antes que ele
pague a mais alta sentença imposta pelos homens.
No livro, o romancista francês não poupa o sistema penal
de sua pátria, que se julgava com direito de executar
alguém.
No Prefácio da obra de 1832, ele escreveu:
“O edifício social assentava em três colunas, o padre, o
rei, o carrasco. Há já muito tempo, uma voz disse: Estão
a desaparecer os deuses! Nos últimos tempos elevou-se
uma voz que gritou: Estão a desaparecer os reis! Chegou
o momento de elevar uma terceira voz que diga: Estão a
desaparecer os carrascos!
Assim, a antiga sociedade terá caído pedra a pedra;
assim, a providência terá completado o desmoronamento do
passado.
Aqueles que lamentaram o desaparecimento dos deuses
ouviram dizer: resta-nos Deus. Aqueles que lamentam o
desaparecimento dos reis ouvem dizer: resta-nos a
pátria. Aqueles que venham a lamentar o desaparecimento
dos carrascos não ouvirão dizer nada.
E a ordem não desaparecerá com o carrasco; não acreditem
em tal coisa. A abóbada da futura sociedade não se
desmoronará por não assentar nesse fecho hediondo. A
civilização não é mais do que uma série de
transformações sucessivas. A que iremos então assistir?
À transformação da penalidade. A doce lei de Cristo
penetrará finalmente no código e resplandecerá através
dele. Olhar-se-á o crime como uma doença, e está doença
terá médicos que substituirão os juízes, hospitais que
substituirão as masmorras. A liberdade e a saúde
assemelhar-se-ão.
Derramar-se-ão bálsamos e óleos onde se aplicava o ferro
e o fogo. Tratar-se-á pela caridade o mal que se tratava
pelo ódio. Será simples e sublime. A cruz substituirá o
patíbulo. Sem mais”.
Recebi há pouco, uma mensagem eletrônica de um
“protestante-calvinista- fundamentalista” defendendo a
pena de morte - numa óbvia alusão ao enforcamento de
Saddam Hussein.
Sua lógica, embora bem substanciada de citações
bíblicas, encheu-me de pavor. Imediatamente, pensei
comigo mesmo: “Não posso admitir que a mensagem de Jesus
ainda produza pessoas assim, inclementes e ávidas por
juízo".
Então, entre a ortodoxia desse escritor brasileiro e a
visão romântica de Victor Hugo, fiquei com o francês.
Soli Deo Gloria.
Pr. Ricardo Gondim
Igreja Assembléia de Deus Betesda
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