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Vários evangélicos soltaram
palavrões na raiva. O que diz a Bíblia?
publicada em 18/03/2010
Já
dizia a canção na Escola Bíblica Dominical: Cuidado
boquinha o que fala. Kaká, da Renascer, no momento de
raiva, abriu o verbo e soltou um palavrão. A imprensa
mundial logo pegou no pé do jogador tido como
referencial de atitude dentro e fora do campo. Neymar,
jovem revelação do Santos e membro da Igreja Peniel, ao
ser expulso no clássico contra o Palmeiras, não poupou o
linguajar e esbravejou.
Os exemplos acima não foram citados para diminuir a
conduta dos jogadores. Para mostrar que os evangélicos,
por mais controlados que sejam nos momentos de raiva
perdem a compostura. Mas o que a Bíblia diz sobre os
crentes bocas suja? O site igreja urbana, em artigo,
respondeu. Leia abaixo:
Crente Boca Suja
No domingo passado, ao falar sobre o desequilíbrio entre
a verdade sem graça (legalismo) e a graça sem verdade
(libertinagem), eu mencionei a tendência crescente entre
muitos cristãos pós-modernos de soltar o verbo e liberar
os palavrões como se fosse a coisa mais natural do
mundo. Algumas pessoas me perguntaram se eu não estava
caindo novamente no legalismo simplesmente por
questionar isso. Vejamos.
Em primeiro lugar é preciso reconhecer
que esta é uma questão mais complexa do muitos gostariam
que fosse. Já conversei com várias pessoas sobre isso
nos últimos anos e tenho a impressão de que muitos
pensam que basta citar alguns versículos das Escrituras
e assunto encerrado. Mas não é bem assim. O difícil é
determinar quando uma palavra é torpe ou obscena uma vez
que a linguagem é algo vivo e as palavras e seus
significados mudam com o tempo. Algo que era considerado
um palavrão nos dias de Jesus ou Paulo pode nem sequer
ser utilizado hoje.
Sendo assim temos que lidar com questões
sobre contexto, cultura, significado e eu entendo isso,
não sou leigo no assunto e não estou tentando desprezar
tais considerações.
Por outro lado, será que o valor de
nossas palavras deveria ser determinado pelo meio em que
vivemos? Se todos à nossa volta estão usando certas
palavras, será que isso significa que nós devemos
usá-las também?
Algumas pessoas dizem que o uso de
palavrão se tornou natural em nossa cultura e que os
únicos que ficam ofendidos são os “legalistas
religiosos”. Realmente parece que cada vez mais pessoas
estão usando palavrão como parte de seu vocabulário. Mas
isso não torna o palavrão menos palavrão. De fato, as
pessoas usam certas palavras justamente porque elas
querem dizer algo para chocar, dar ênfase, ofender, etc.
Ou seja, mesmo com o uso cada vez mais corriqueiro,
certas palavras continuam sendo torpes e obscenas em
nossa cultura.
O comediante americano George Carlin em
seu show “Sete palavras que você nunca deve dizer na TV”
demonstrou (mesmo que a contragosto) que há certas
palavras que são inapropriadas. Bono que o diga. Por
usar uma destas palavras na entrega do Globo de Ouro em
2003, ele criou problemas para a rede de TV
norte-americana Fox.
Eu gosto da idéia de que se você não
usaria uma determinada palavra numa conversa com sua
mãe, numa reunião como igreja, numa entrevista de
emprego ou para alguém que você acabou de conhecer,
então essa palavra parece não ser apropriada para seu
uso corriqueiro. Novamente, parece uma idéia simplista
(e talvez seja), mas creio que é um começo.
Seria válido falar palavrão para se
identificar com as pessoas que estamos tentando
alcançar?
Eu me lembro de quando fazia visitas na
antiga Casa de Detenção Carandiru em São Paulo. Os
presos tinham um código de respeito para com os
“crentes” que os visitavam. Não se falava palavrão perto
deles. Percebi o mesmo com relação as prostitutas em
alguns prostíbulos onde estive com os missionários do
Projeto Toque. Quando alguma delas que não nos conhecia
começava a baixar o nível das palavras, era logo
censurada pelas companheiras. Fico imaginando o que
essas pessoas pensariam ao ouvir um discípulo de Cristo
falando as mesmas palavras que elas, apesar de usarem,
reprovam. Será que elas veriam evidências de uma nova
vida no falar deste discípulo?
Como eu disse em minha reflexão,
precisamos rever nosso conceito de liberdade cristã.
Para muitos, a nova versão de liberdade que eles estão
aderindo é apenas uma revisão da velha escravidão que
eles pensam ter deixado para trás.
Liberdade cristã não é liberdade para
fazer o que quer que eu desejo. Liberdade cristã é
liberdade para servir a Cristo e fazer o que Ele deseja.
É liberdade para agradar a Deus. É liberdade no Espírito
Santo. E o fruto do Espírito é amor, paz, bondade…
domínio próprio.
Lutero colocou da seguinte forma em seu
clássico texto Da Liberdade Cristã (1520): “Um cristão é
senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a
ninguém – pela fé. Um cristão é servidor de todas as
coisas e sujeito a todos – pelo amor.”
Quando leio passagens como Efésios 2.1-5
e 4.22, 1 Pedro 4.3, Tito 3.3, dentre outras, há uma
indicação clara de que nossa vida antes de Cristo era
marcada por certas coisas que já não devem mais
persistir uma vez que estamos ligados à Cristo. Os
verbos usados – éramos, andávamos, vivíamos – indicam
uma condição passada. Mas agora, diz a Bíblia, somos
novas criaturas e devemos despir (despojar) a velha
condição. Me parece estranho que seguidores de Cristo
queiram continuar na condição passada, exibindo os
mesmos maus hábitos e caindo nos mesmos erros.
É neste contexto do novo homem que Paulo
fala aos Efésios (4.29): “Não saia de vossa boca nenhuma
palavra torpe.” (ARA)
O dicionário Houaiss define TORPE
como:
que contraria ou fere os bons costumes, a
decência, a moral; que revela caráter vil; ignóbil,
indecoroso, infame
que contém ou revela obscenidade; indecente
que causa repulsa; asqueroso, nojento
que apresenta mácula; sujo
Ou seja, mesmo considerando as mudanças
do vocabulário com o decorrer dos tempos, uma palavra
torpe hoje continua sendo torpe.
Algumas pessoas argumentam que xingar é
ser transparente e honesto. Todavia, o próprio bom senso
nos diz que não devemos ser transparentes em tudo
exatamente. Ainda que não exista nada em nossa vida que
esteja oculto aos olhos de Deus – não há áreas privadas
diante de Deus – há todavia, áreas e coisas que fazemos
que não deveriam se tornar públicas. Por exemplo, o
exercício de nossas necessidades físicas. Ninguém que
tenha um bom senso ira advogar que, em nome da
transparência, deve-se abaixar as calças em público e se
aliviar na frente de todos. Isso seria indecoroso na
maioria das culturas e sociedades do nosso mundo hoje.
Ou seja, a tal de transparência neste caso me parece
mais uma desculpa para obscenidade do que algo sincero.
Todd Hunter, presidente do Curso Alpha
certa vez disse: “Como um discípulo de Jesus usa sua
linguagem? O amor deve ser o árbitro de todo o falar.”
Quando você manda alguém ir se f**** ou
chama uma pessoa de filho da p***, você está
demonstrando amor? Você consegue ver a atitude de Cristo
nisso? Imagino que não. Não importa o quão transparente
você diga que está sendo, a única coisa que sua atitude
transparente está demonstrando é a ira e falta de
domínio próprio.
Então ouço pessoas apontando outros
pecados, dizendo que alguém não xinga, mas odeia de
qualquer maneira. Ora, um pecado não justifica o outro.
Deus nos chamou para uma nova vida, com novas atitudes e
novos hábitos.
Creio que xingar é um mal hábito e como
todo mal hábito deve ser desencorajado, procurando
livrar-se dele em busca de novos hábitos. Gosto do Bono
como artista. Lendo uma de suas entrevistas certa vez,
achei curioso que ele mesmo considera o falar palavrão
como um mal hábito que ele possui. Mesmo gostando de sua
arte, não significa que eu deva gostar ou adquirir seus
maus hábitos.
Jesus elevou os padrões para os seus
seguidores, em vez de diminuí-los como muitos aderentes
da graça barata parecem pensar que Ele tenha feito.
Tiago nos chama para um viver comprometido com os pobres
e oprimidos ao mesmo tempo em que nos mantermos
incontamináveis com o mundo – inclusive no falar
(1.26-27). Uma simples leitura a carta de Tiago revela
que ele tinha muito a dizer sobre o Cristianismo prático
e o uso da língua.
Por tudo isso e mais um pouco, creio que
os seguidores de Cristo devem evitar ao máximo o uso de
linguagem torpe/obscena, especialmente em público.
Que Deus nos ajude a viver não no
legalismo nem na libertinagem, mas na verdadeira
liberdade no Espírito.
Fonte: Colaborador |